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Versículo do Dia


sexta-feira, 28 de março de 2014

Analise sobre Malaquias 3:10

 Atualmente foram incluídos nos cultos [neo-pentecostais] preceitos da Lei que trazem algum benefício material, como o dízimo e a festa das primícias. Os evangélicos pentecostais não tiveram interesse em incluir em suas igrejas a Festa de Pentecostes porque nem esta, nem nenhuma outra das seis festas restantes mencionadas em Levítico 23, lhes propiciariam algum benefício econômico. Se lhes é perguntado: "Por que vocês não guardam a Festa de Pentecostes, ou a dos Tabernáculos, ou a Festa das Trombetas?", não duvidariam em responder: "Porque estas festas eram para o Povo de Israel". E quanto ao dízimo, então? A Festa das Primícias, como as outras seis festas do calendário judaico, é celebrada também apenas uma vez ao ano.
Alguns líderes tiram as passagens do contexto para infundir medo aos seus seguidores se não derem o dízimo. Por exemplo: "Vós tendes me roubado vossos dízimos" (Malaquias 3,8). Porém, omitem o restante da passagem. Analisemos o que diz esta passagem (leia, porém, todo o capítulo 3 de Malaquias):

Almeida Corrigida e Revisada Fiel

1 EIS que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos.
2 Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros.
3 E assentar-se-á como fundidor e purificador de prata; e purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como prata; então ao Senhor trarão oferta em justiça.
4 E a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, e como nos primeiros anos.
5 E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o diarista em seu salário, e a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos.
6 Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.
7 Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?
8 Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.
9 Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação.
10 Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.
11 E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos.
12 E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos.
13 As vossas palavras foram agressivas para mim, diz o Senhor; mas vós dizeis: Que temos falado contra ti?
14 Vós tendes dito: Inútil é servir a Deus; que nos aproveita termos cuidado em guardar os seus preceitos, e em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos?

3. (...) aos filhos de Levi:

4. E as ofertas de Judá e de Jerusalém serão aceitáveis ao Senhor (...)
Os israelitas estavam sob a Lei de Moisés, da qual se tinha a regra de ouro: "fazer algo para receber algo em troca". A Igreja, porém, não está sob a Lei Mosaica, de modo que este "fazer algo para receber algo" não se aplica; ao contrário, só ofende a Deus.

No v.6, Deus diz: "Eu, o Senhor, não mudo" e, portanto, muitos dizem que se Javé não muda, sua palavra também permanece para sempre e o que é dito aqui continua vigorando e é de aplicação universal. Porém, é claro que Deus não muda; Ele sempre cumpre a sua parte no trato, sua parte no pacto. Ao contrário, os israelitas sempre infringiram o trato, esse pacto que Deus sempre teve que renovar por causa deles. Nós sim mudamos, porque Ele nos muda quando nos convertemos e nos torna novas criaturas em Cristo; por isso, diz: "Eis que torno novas todas as coisas". Ademais, o v. 12 diz: "todas as nações vos chamarão bem-aventurados, porque vós sereis uma terra deleitosa" e a Igreja será perseguida e aborrecida neste mundo, nunca será uma terra deleitosa. Esta promessa e a obrigatoriedade do dízimo unicamente concernem ao Povo de Israel, de modo que não é universalmente obrigatório como muitos querem nos convencer.

No v.7, os israelitas perguntam: "Em que havemos de tornar?", já que querem saber o que é que não estão cumprindo. E Deus responde que estão lhe roubando (v. 9), porque eles não estavam entregando o dízimo como deveriam, mas que o estavam retendo para eles, o que poderia ocasionar a não sustentação dos levitas. Ou seja: estavam se descuidando daqueles que Deus havia designado para trabalhar por seu povo, o que era contrário ao que Ele havia ordenado. Neste v. 8 muitos dizem que Deus fala dos "homens" para dizer que por isso se aplica a nós e não somente aos judeus; porém, cumpre esclarecer que o v. 6 diz que se dirige exclusivamente aos "filhos de Jacó", isto é, são a estes homens filhos de Jacó (Povo de Israel) a quem Deus se dirige. Não podemos, nem devemos distorcer as Escrituras.

No v.10, Deus promete dar "bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança" ao Povo de Israel se, primeiramente, cumprirem a Lei: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos; se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança". Os israelitas estavam sob a Lei e deviam cumpri-la para que Deus os abençoasse; assim, os desafia a cumprir a Lei, para que Ele possa provar a sua fidelidade, sua parte do trato. Os judeus a quem se dirigia o profeta não confiavam em Deus; por isso, o Senhor os desafia a que o "provem". Portanto, esta passagem não possui valor para o cristão, já que estamos sob a graça. E não podemos e nem devemos provar a Deus; Ele não nos abençoará por cumprir uma parte da Lei. Não podemos também provar a Deus porque seria ofendê-lo, principalmente por ter-se dado totalmente por nós, dando-nos seu Filho: "Como não nos dará Ele todas as coisas?" (Romanos 8,32).

Agora, se você acredita que as bênçãos que Deus vai lhe dar por dizimar são espirituais, atente-se para o que Paulo disse: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo" (Efésios 1,3). A bênção que Deus promete ao Povo de Israel no v. 11 é, porém, material: "Repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos."

Malaquias 4,4 diz: "Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo, a qual lhe mandei em Horeb para todo o Israel, os estatutos e os juízos". Insisto em mostrar que Paulo disse: "Para os que estão sem Lei, como se estivessem sem Lei (não estando sem Lei para com Deus, mas debaixo da Lei de Cristo), para ganhar os que estão sem Lei" (1Coríntios 9,21) e não foi no Horeb, mas no Calvário onde Cristo nos libertou pela cruz da maldição da Lei. Muitos dizem que o "Lembrai-vos da Lei de Moisés" significa não esquecê-la, que Jesus não veio para revogar a Lei, mas para cumpri-la, e que Ele disse que não passaria nem sequer um til da Lei. Porém, isto é uma meia-verdade, porque nós não poderíamos cumprir nada; foi Ele quem cumpriu a Lei por nós, porque o objetivo da Lei era Cristo, como diz Paulo, e Cristo nos redimiu da maldição da Lei. Porque se você depende da Lei, diz Paulo: "Todos aqueles que são das obras da Lei estão debaixo da maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no Livro da Lei, para fazê-las" (Gálatas 3,10). Está sob maldição se não cumpre absolutamente toda a Lei, como diz Tiago: "Pois qualquer um que guardar toda a Lei, mas tropeçar em um só ponto torna-se culpado de todos" (Tiago 2,10). Portanto, de nada adianta ser um dizimista fiel se não cumprir também os 613 preceitos da Lei.

Por fim, se o bem-estar econômico é conseqüência do dízimo (como muitos afirmam), por que não há evidência de que o Senhor Jesus Cristo pagara o dízimo? Por que Ele era pobre? Por que, se Ele era pobre, seus "servos" do século XXI deveriam ter contas bancárias, dois ou três automóveis, coisas luxuosas e muitas propriedades? Por que não há evidência bíblica de que Paulo, Pedro ou os demais Apóstolos pagaram o dízimo? Por que eles eram pobres? Por que, se eles não cumpriam a Lei, deveríamos nós cumpri-la? Não seria curioso que o Senhor Jesus, sendo pobre, tivesse deixado suas ovelhas ao cuidado de pessoas que tem se enriquecido com o Evangelho?

Disto, concluímos que o Autor Sagrado está se dirigindo àqueles que guardam a Lei: o Povo de Israel, não a Igreja. Em outras palavras: com esta passagem muitos líderes cristãos estão dizendo que se alguém não paga, não será salvo - o que não tem lógica!

Muitos utilizam até estórias que inventam sobre tragédias que se abateram sobre aqueles que não pagaram o dízimo ou dizem que os céus abrem muitas bênçãos para aqueles que o dão. Relacionam todo o bem e todo o mal que o ser humano passa nesta vida terrena diretamente ao dízimo. Mera superstição! As enfermidades fazem parte da nossa natureza humana, da mesma forma como os problemas que enfrentamos dia a dia. Deus não é um deus de interesse econômico, mas espiritual.

Adaptado por: Carlos Eduardo

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3 comentários:

  1. Existe uma passagem biblica em que Jesus sendo testado disse: Dai a cesar o que é de cesar e a Deus o que é de Deus. Não seria esse um exemplo de Jesus quanto ao dizimo?

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    1. Não! Deus não precisa de dinheiro, muito menos de 10%, pois Ele é o dono do ouro e da prata. Na qustão de Jesus, Ele fez questão de pegar uma moeda que continha de um lado a efigie e do outro a inscrição de Cesar. Jesus ordenou dar a Cesar que era de César, pois o dinheiro foi criado pelo homem e para o homem.
      E quanto a dar a Deus o que é de Deus se refere a honra, a glória, o louvor e adoração que somente a Ele pertence.

      Veja o que Ele diz aos sacerdotes o tempo de Malaquias:

      "AGORA, ó sacerdotes, este mandamento é para vós. Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar HONRA ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração" (MALAQUIAS 2.1,2).

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    2. Obrigado por sua visita e comentário neste artigo. Que o Senhor o abençoe.

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